03
Fev
10

o fascínio das caixas de concreto

Sobrepostos e independentes, os dois volumes possuem quase o mesmo tamanho

O que leva  um artista a dedicar grande parte de sua vida e obra, ao estudo das cores numa única forma,  o quadrado?  Nada melhor do que a obra de Joseph Albers para  responder essa questão objetivamente,  com sua famosa série “Homenagem ao quadrado”.  Não tem como não ficar hipnotizado, diante da força e beleza das cores e das formas, causadas pela imagem repetitiva dos quadrados.  Isso me fez entender como  uma  mesma forma, desperta sensações e emoções absolutamente diversas.  Aliás vale à pena  pesquisar este artista. Já postei imagens sobre ele no blog. Clique aqui e veja o post

Mas por que estou dizendo isso? Assim como Albers que investigou exaustivamente com criatividade  o quadrado, realizando um trabalho maravilhoso, a arquitetura também tem esse  poder.

Selecionei dois  exemplos que se apropriam com maestria e criatividade das formas geométricas puras, caixas de concreto retangulares,  portanto bem parecidas, mas  com resultados estéticos absolutamente diferentes e com personalidade própria.

A obra acima saiu das pranchetas do studio do arquiteto Marcio Kogan e sua equipe, onde essa forma é bastante presente em seus trabalhos.  Constituí-se em  duas caixas de concreto, incrustadas numa encosta no litoral fluiminense.  Na caixa  mais próxima do mar, ficam o estar e os serviços, no volume superior ficam os dormitórios.

O exemplo abaixo, de autoria de  Zerafa Architecture Studio em Niagara Falls, Ontario, Canada,  tem praticamente o mesmo partido arquietônico, a mesma forma, mas um resultado completamente diferente. Talvez seja essa  a mágica da arquitetura!

casaigual.jpg

30
Jan
10

boteco sofisticado

Mocotó, cuja obra foi concluída em 2007,  é o endereço gastronômico brasileiro em Londres. Com arquitetura assinada por Isay Weinfeld, o bar  que ganha ares de boteco, localizado em região privilegiada da capital inglesa, ocupa o andar térreo, (bar)  e o subsolo (restaurante)  de um edifício multifuncional com seis pavimentos. Através dos materiais naturais e de móveis de design nacional, o arquiteto criou interiores que mesclam a sofisticação com soluções para o uso descontraído e coletivo do espaço.

18
Jan
10

fundo de quintal

prefabhomeofficepod.jpg (468×325)

Não é mais por falta de espaço, que perderemos o conforto de trabalhar em casa. Se dentro já está tudo dominado, liberte-se e  saia  para o espaço exterior, claro,  desde que tenha um “fundo de quintal” à sua disposição.  Quando puder, faça uma visita no site  OfficePOD e veja que é possível.

Um dos procedimentos  mais modernos inteligentes  e sustentáveis que existe atualmente, é poder trabalhar em casa, usufruindo de toda a parafernália tecnológica,   preservando   cabeça, tronco e membros das chuvas, do estress, dos  congestionamentos e  hecatombes  que assolam a cidade.  Quanto menos pessoas deslocando-se de carro, menos poluição, menos trânsito, mais saúde, mais alegria, mais civilização !

Sinta-se à vontade, quando tiver que receber um cliente, não titubeie em  munir-se de seu poderoso leptop, e marcar com ele num  dos cafés super charmosos, que tem às pencas pela cidade,  e mostrar  o resultado do seu trabalho. Garanto que é menos monótono,  muito   econômico e mais,  trata-se de  uma atitude prá la de cosmopolita . Só não esqueça de ser elegante e pagar a conta, nem que para  isso, o valor  já esteja incluso nos seus honorários.

prefab flexible office plan

09
Jan
10

fabio miguez

Arquiteto pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, Fábio Miguez é artista plástico desde o início da década de 80,  fazendo parte  do grupo Casa 7 . Recentemente vi uma exposição de algumas obras suas no Instituto Tomie  Ohtake.  Devido a  formação, seu trabalho tem bastante afinidade com arquitetura.

Ao mesmo tempo, Instituto Tomie Ohtake exibe a mostra

Mostra de Fábio Miguez traz pinturas sobre tela e papel e objetos criados pelo pintor

Fábio Miguez propõe um jogo incessante para o olhar em que as formas ficam em aberto

08
Jan
10

Lóki isso né?

Confesso que a primeira vez que vi uma apresentação dos Mutantes pela Tv, apesar de ser bem garoto, fiquei absolutamente seduzido e bastante intrigado. Era o festival da Record, 1967. Acompanhavam Gilberto Gil, e chegavam com um visual lúdico, cheio de atitude e informação.

O nome, Mutantes, que alias, foi dado por Ronnie Von, em virtude de um livro que lia à época, já dizia explicitamente a que vinham – criatividade, ousadia, mudança e transgressão. Meu inconsistente feeling dava um toque de que soprava naquilo tudo, um vento de modernidade. Entendi que a partir dali, nada seria como antes.

Coincidentemente, os Mutantes nasceram na Pompéia, assim como eu e grande parte do  rock and roll brasileiro que rolou na virada dos 60’s /70’s. Cedo, aprendi a conviver com aqueles seres excêntricos e apaixonantes – dois patetas e uma princesa – cheios de charme e com bala na agulha para bancar todas as suas ousadias. Muito antes de Caetano apontar na sua linda letra de “Sampa”, as belezas ocultas da cidade, eles já desfilavam suas “deselegâncias”, nada discretas por nossas esquinas.  Chegavam com a força de uma nave desgovernada, chocando-se contra a Terra, porém sabendo exatamente onde iriam pousar.

Antenados e com intuição aguçada, “mexiam” com maestria no mesmo caldeirão, um caldo bastante vigoroso, com pitadas de Vicente Celestino, Lígia Clark, Parangolés, bananas, Ângela Maria, Beatles, hippies, Mamas & the Papas, sweet London, moda, erudição, canções antigas com novas roupagens, experimentação e acordes dissonantes. Posso dizer: dava samba, ou melhor, rock and roll! Melhor ainda música da melhor qualidade.  Sem dúvida estava ali um cromossomo poderosíssimo na estrutura genética da Tropicália

Eu e meus amigos aguardávamos ansiosamente, eles subirem a rua, na sua Dirce, uma Kombi, pra lá de anárquica que os transportava, juntamente com seus equipamentos inovadores, para todos os lugares ao mesmo tempo. Era um delírio, pois respondiam à altura todas as micagens que fazíamos para eles.  Viravam crianças como nós e desapareciam rapidamente como um raio que rasga o céu do gibi.

Como meteoros, passaram num “zapt” imprimindo sua marca indelével no cenário musical brasileiro. Não permaneceriam juntos por muito tempo. Tomaram rumos diferentes e controversos.  Nitroglicerina pura. Pouco espaço para muito talento por centímetro quadrado.

Recentemente, houve uma tentativa de reaproximação, com uma veemente negativa da musa Rita. Deve ter lá seus motivos. Acho que ela estava certa, fotos, são para a posteridade, não devem ser alteradas, nem com toda a tecnologia á disposição, se é que me entendem… Se for para recordar, please, put yours old records on ! Aquilo que foi não volta mais. Pelo menos não com o impacto da novidade. Como era de se esperar, a magia não se repetiu.

Se não fossem brasileiros, talvez hoje, seriam reconhecidos mundialmente, e teriam o peso que tem para nós.

Lóki isso né? Mas esse papo já é outra história.

26
Dez
09

um canto para chamar de seu

Quando o guerreiro volta exausto das batalhas, quando o caçador retorna exaurido da floresta, ou quando  nós, simples mortais  regressamos das arenas urbanas, precisamos de uma despressurização  rápida, e  um porto seguro para clarear  as idéias. Um lugar tranquilo para apertar o botão  ”fast rewind”  e  ouvir as “fitas gravadas” nos arquivos abarrotadas  de informações, na maioria das vezes  absolutamente dispensáveis,   que vagam  no interior caótico de  nossas pobres e  cansadas cabeças falantes.

Relaxar, meditar, ler, viajar, ouvir música, ou simplesmente silenciar.  Todo  mundo tem  seu “cantinho”   em  casa, nem que seja na garagem,  no sotão,  no porão ou no quarto de despejo. Seja  lá onde  for ele estará  sempre pronto a nos acolher, nem que seja para ficarmos olhando para a parede mais próxima, abrir uma imensa tela imaginária,  sair pelo mundo.

Certa vez assisti na FAU, uma das útlimas palestras do  saudoso arquiteto Flávio Motta onde ele lindamente discorria e filosofava sobre o canto,  com o também saudoso Vilanova   Artigas.  Um verdadeiro “encontro com homens notáveis”.   Não falavam sobre  o canto musical, mas um outro  canto,  o encontro da quina das paredes onde podemos nos aninhar, nos encontrar. Fazer o canto cantar!

Tenho o meu  lugar que funciona   como um rito de passagem,  o meu canto.  Ali já me encontrei com todas as figuras que fizeram minha cabeça, e com as quais eu gostaria de ter convivido:  de John Lennon a Mahatma  Gandhi  de Nacional Kid a Cacilda Becker de Woody Allen  a Mayakovisk, de Leonardo da Vinci a Federico Fellini ou Fernando Pessoa  e sua trupe  de heterônimos.  Posso dizer, que graças ao meu “canto”  sou íntimo de todos . Ali já vivi as mais transgressoras e alucinantes  experiências, encarnei os maiores personagens da história, resolvi num piscar de olhos,  todos os problemas do mundo.  Já perdooei, já pedi perdão, já encontrei algumas respostas, outras nem cheguei perto.  Construi todos os castelos que pude. Fui o  ator dos   filmes que vi.  No meu canto,  abasteço meu liquidificador de idéias.  Me abasteço de mim! Renasço a cada dia!   …me preparo para o mundo. E você?

quartsimagem.jpg

02
Dez
09

dobradura de alumínio

ac01120901.jpg

Como dizia um dos maridos de Dona Flor , no romance de Jorge Amado, -” Um lugar para cada coisa, cada coisa em seu lugar”.  O que me chamou atenção nesta peça, do designer Tobias Labarque, não foi o resultado final, mais sim o processo de  elaboração e fabricação. Sem encaixes, soldas, parafusos ou qualquer outra forma de conexão, constitui-se numa dobradura em  chapa perfurada de alumínio. Não sei se é confortável, o visual parece um tanto pesado.  Tem cara de Darth Vader, o vilão de Guerra nas Estrelas.  A  dobradura em alumínio,   causa um certo impacto e confere personalidade. Pensando bem, até concordo com a  personagem do romance, deve haver algum ambiente onde se  ”encaixe” direitinho. Vale um test drive.   Let’s do it?

01
Dez
09

criações

Entre outras, essas são algumas peças, já conhecidas, de mobiliário de  minha autoria. Para quem gostou, aceito encomendas,  e os preços são bem acessíveis.  Dá para fazer diversas combinações  de cores,  materiais e  dimensões. Para quem não gostou, posso dar  sugestões de mesa ou de outras peças.

A  mesa ‘T’ encaixa-se perfeitamente em salas de jantar e até escritórios.  Tampo em  compensado de madeira certificada padrão freijó  no tom médio; acabamento das bordas laterais em lâmina de madeira padrão freijó, no tom médio; apoio posterior em compensado de madeira certificada, com acabamento em lâmina de madeira padrão freijó médio; apoio frontal em compensado de madeira certificada, com acabamento em laminado melâmínico branco texturizado fosco, com opção de pintura laqueada. Os apoios são fixados em guias localizadas na parte inferior do tampo.   É possível fazer em outras dimensões.

Mesa T

Banco AU

Peça  multi-função: revisteiro com mesa lateral, banco e aparador. Pode também ser usado como mesa de centro. Dá para fazer várias combinções de material e dimensões.  Esse é em compensado, de madeira certifcada, com acabamento em lâmina de madeira e aplicação de pastilhas de casca de coco.

Buffet Bar

Este buffet, concentra a função de bar, e aparador –  com gaveteiro, porta com prateleiras intermediárias .

Para que as garrafas possam manter-se em pé, foram feitos circulos com diâmetros diferentes, comportando vários tipos de garrafas. A gaveta  do bar, pode ser aberta sem susto, que as garrafas ficam à disposição sem cair, pois cada uma tem seu espaço.  Cabem 12 garafas.

A peça da foto foi revestida em lâmina de embúia padrão linheiro, com estrutura e gavetas em MDF. O suporte das garrafas foi revestido com o  mesmo material   da estrutura. Para o  bar no centro da peça, foi usado MDF pintado de branco com pintura “PU”.  A aplicação da lâmina de embúia padrão linheiro nas portas foi feita em sentidos diferentes , explorando a textura do material. Os puxadores estão embutidos na própria porta e gavetas.  Fixada à parede,   com parafusos e bucha.  É possível ter outras composições de cores  e lâminas de madeira.

27
Nov
09

Escultura ou mobiliário?

Eu chamaria essas peças de “esculturas funcionais”. Além de encher os olhos, com a beleza de uma escultura,  integram -se em qualquer ambiente, trazendo   o calor da madeira, somado  a funcionalidade de uma peça de mobiliário. Quer mas o quê? Forma e função embaladas num só pacote!

É realmente bem interessante o trabalho do designer canadense,  Brent Comber, que utiliza a madeira  com cortes geométricos  aglutinados,  gerando  um resultado extremamente criativo .   Nem precisa dizer que o seu trabalho é   absolutamente  fincado em bases  sustentáveis, utilizando frequentemente restos e sobras de madeira.

brent comber wood furnitureBrent Comber Branch Table por Inhabitat.

21
Nov
09

pequenas transformações

Sim,  para  quem estava desconfiado, trata-se do mesmo espaço, a cozinha de um apartamento.  Tive que fazer, digamos “pequenas alterações”,  será que  deu para notar?

Não foi só a porta que mudou de posição. Mudaram os donos, mudou a história do lugar.  O espaço ficou maior  e mais funcional. Os  revestimentos foram todos substituídos, assim como a iluminação e os móveis,  feitos sob  medida.

Pensando bem, acho qua a reforma foi radical.




autor/proposta

josé luiz leone, arquiteto/designer ARQBAR = BAR : balcão+serviço rápido+eficiência+amigos+ camaradagem+bate papo+ descontração+ circulação de informações+pessoas+ aprendizado+relacionamentos +parcerias+divulgação de trabalhos+ cumplicidade+novidade+ informação+arte+arquitetura+design

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Fevereiro 2010
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