13
Fev
09

A insustentável leveza da sustentabilidade

Muito se tem falado no termo “sustentabilidade”. Não tenho a pretensão, nem de gerar desconfiança no incensamento que a mídia vem fazendo ao tema, e claro, nem dar a palavra final, apenas refletir um pouco, expor minha opinião, gerar alguma discussão, que é uma das propostas do blog.

Observar um tema que não dá para ficar alheio, mesmo porque, não está restrito apenas a arquitetura, mas a vida em geral. Novas atitudes, mudança de comportamento, novas posturas em relação ao que nos rodeia, novas responsabilidades, questionamentos constantes, educação, aprimoramento, anexação de boas  e novas experiências, ainda um tanto inseguras e tímidas, em detrimento das ultrapassadas e antigas.

Acabamos achando que sustentabilidade e respeito à ecologia, são posturas que surgiram agora, que  o  planeta resolveu se manifestar, dando um basta às atrociades que o homem vem cometendo contra ele. Associou-se sustentabilidade ao conceito de modernidade –   não importam os meios mas  os fins. Em contrapartida,  muitas cabeças antenadas, já se preocupavam com isso desde quando pensávamos que os recursos do planeta eram inesgotáveis e infinitos.

Hoje, tudo é sustentável, de maquiagem a celular, de micro-ondas a raquete de tênis, de salsicha a I-pod, de chave de fenda a casaco de pele. Se não for feita qualquer  menção ao tema na apresentação,  seja lá o que for oferecido, está fora da nova ordem, obsoleto ou fadado a ficar encalhado nas prateleiras.

A boa arquitetura, o bom par de sapatos, o ser humano educado, já nascem sustentáveis, assim como qualquer atitude ou criação preocupada com o bem estar do planeta e  de toda  a sua população. Portanto não necessitam de selos de qualificação.

O que significa morar num edifício com certificação  ecologicamente correta, mas adotar uma postura completamente oposta – entrar na garagem, acelerar o carro até o vizinho ficar com falta de ar, de tanto engolir fumaça,  abrir o vidro e jogar juntamente com um maço de cigarros, uma lata de refrigerante?  Sustentabilidade nasce com a educação e respeito ao próximo e a si mesmo.

A finalidade da arquitetura, é a sustentabilidade então, arquitetura susentável, torna-se redundante.   Muitas vezes vemos uma edificação projetada sem critério ou envolvimento algum com a questão e que para obter o famigerado selo de “sustentabilidade”,  são gastas  quantias astronômicas, para adequa-la a tal categoria. Um exemplo, são os  prédios com enormes panos de vidro na fachada, completamente fechados,  sem a mínima preocupação com  o recurso da ventilação cruzada, mas dotado de um sistema de ar condcionado  caríssimo de última geração,  que ostenta em sua carcaça o selo sustentável, ou um sofisticado elevador, que não leva só os passageiros às alturas, mas também o preço da obra.

A função da arquitetura, além de educar a morar, sempre foi   viabilizar   projetos, bem resolvidos  para que as pessoas pudessem interagir de forma saudável com o espaço, levando em conta os fatores que dão  as melhores condições de habitabilidade, como: boa iluminação, ventilação, circulação, uso correto dos materias alternativos, que não sejam perecíveis, implantação em harmonia com o entorno, boa permeabilidade para o solo, um eficiente sistema de coleta e reaproveitamento de água, reciclagem de lixo, e por aí vai.

Todo o processo de sustentabilidade deve estar conectado à tecnicas avançadas e desenvolvidas da construção civil  que alem de agilizar a obra, não poluam ou deteriorem o canteiro, ocasionando enorme quantidade de entulhos, que posteriormente deverão ser recolhidos por caçambas e jogados sabe-se lá onde.

Há de levar-se em conta também a inclusão social, com a  educação e capacitação da mão de obra, aquisição de  tecnologias avançadas e  parcerias com industrias competentes, que utilizam de forma racional os recursos naturais.

Sustentabilidade tem muito mais a ver com educação e aprimoramento pessoal, transformação, preocupação com o impácto ambiental,  pesquisa constante de novos materiais, reaproveitamento das sobras, do que com selos que o tempo pode arrancar rapidamente dos seus “monumentos”.

A saída? Talvez seja,  humildemente colocarmos em prática, os resultados do nosso total  empenho nessa empreitada, afinal, o que além disso pode “sustentar” o nosso espírito?

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josé luiz leone, arquiteto/designer ARQBAR = BAR : balcão+serviço rápido+amigos+ camaradagem+bate papo+ descontração+ circulação de informações+pessoas+ aprendizado+relacionamentos +parcerias+divulgação de trabalhos+ cumplicidade+novidade+ informação+arte+arquitetura+design

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