Arquivo de Fevereiro, 2010

26
Fev
10

clientes ou fregueses?

Os grandes atores costumam dizer que sem o público, não existe teatro. Pegando carona nessa máxima, diria que nós, arquitetos, não existiríamos sem os clientes.
Uma relação, as vezes, um tanto conturbada, não podemos viver sem eles. Confesso que durante a minnha trajetória profissional, presenciei cenas que vão do drama ao pastelão. Apartei brigas , vi  casamentos com sólidas estrutras abalarem-se, em outros casos, não pude evitar separações. Certas uniões não suportam uma obra. Aconselhei, me aborreci.  Embora já não fume há anos , em muitas situações,  pensei em sair para  comprar cigarros e não voltar mais.

Como diz um  colega, os compradores do nosso trabalho, dividem-se em clientes e fregueses.
Os clientes normalmente são respeitosos, são atuantes em suas áreas, vivem das suas atividades profissionais, portanto reconhecem o valor do trabalho alheio. Tem repertório. Geralmente sabem o que querem e confiam. Sabem compartilhar seus sonhos conosco. Procuram estabelecer parcerias. Clientes acabam tornando-se amigos.

Os fregueses, estão sempre com um pé atrás, são ariscos e  desconfiados. Questionam cada centavo dos honorários, achando que estão sendo lesados. Para eles, bem lá no fundo, arquiteto e superficialidade são uma só coisa. Muitas vezes, te contratam querendo apenas um desenhista que copie projetos das revistas de decoração que esfregam na sua cara. São impacientes, anciosos e parece que até torcem para que algo dê errado, para poderem extravasar suas neuras.
A tarimba profissional nos dá traquejo para identificar essas criaturas a tempo e “fechar o corpo”, antes que elas comecem a agir. Para a nossa sorte, são minoria ou estão em extinção.

É evidente que digo isso, pelo fato de estar do lado de dentro do balcão.  Numa opinião isenta, creio que dos dois lados existem “malas”, como em todas as profissões e seus respectivos consumidores.

O que fica dessa coisa toda?  É que arquitetos, clientes ou fregueses, vão viver um tempo de suas vidas juntos, e para sempre suas histórias, vão ficar impressas num desenho comum.  Se assim está escrito, que esse tempo seja  proveitoso para ambos,  traga boas recordações e aprendizado,  senão, a unica saída é respirar profundamente e roer com elegância os tais ossos do ofício.

O  humor cáustico e  desconcertante do Monty Python,  ilustra  bem  essa insólita relação. Vejam o vídeo a seguir,  até o final.

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03
Fev
10

o fascínio das caixas de concreto

Sobrepostos e independentes, os dois volumes possuem quase o mesmo tamanho

O que leva  um artista a dedicar grande parte de sua vida e obra, ao estudo das cores numa única forma,  o quadrado?  Nada melhor do que a obra de Joseph Albers para  responder essa questão objetivamente,  com sua famosa série “Homenagem ao quadrado”.  Não tem como não ficar hipnotizado, diante da força e beleza das cores e das formas, causadas pela imagem repetitiva dos quadrados.  Isso me fez entender como  uma  mesma forma, desperta sensações e emoções absolutamente diversas.  Aliás vale à pena  pesquisar este artista. Já postei imagens sobre ele no blog. Clique aqui e veja o post

Mas por que estou dizendo isso? Assim como Albers que investigou exaustivamente com criatividade  o quadrado, realizando um trabalho maravilhoso, a arquitetura também tem esse  poder.

Selecionei dois  exemplos que se apropriam com maestria e criatividade das formas geométricas puras, caixas de concreto retangulares,  portanto bem parecidas, mas  com resultados estéticos absolutamente diferentes e com personalidade própria.

A obra acima saiu das pranchetas do studio do arquiteto Marcio Kogan e sua equipe, onde essa forma é bastante presente em seus trabalhos.  Constituí-se em  duas caixas de concreto, incrustadas numa encosta no litoral fluiminense.  Na caixa  mais próxima do mar, ficam o estar e os serviços, no volume superior ficam os dormitórios.

O exemplo abaixo, de autoria de  Zerafa Architecture Studio em Niagara Falls, Ontario, Canada,  tem praticamente o mesmo partido arquietônico, a mesma forma, mas um resultado completamente diferente. Talvez seja essa  a mágica da arquitetura!

casaigual.jpg




autor/proposta

josé luiz leone, arquiteto/designer ARQBAR = BAR : balcão+serviço rápido+amigos+ camaradagem+bate papo+ descontração+ circulação de informações+pessoas+ aprendizado+relacionamentos +parcerias+divulgação de trabalhos+ cumplicidade+novidade+ informação+arte+arquitetura+design

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