23
Abr
10

uma jovem senhora, ou a lady do cerrado?

Quando me dei conta de  que  havia despencado  neste planeta de expiação, e que era aqui mesmo,  que tinha que me  atracar com minhas mazelas, me aperfeiçoar como ser humano, resolver todas as minhas questões existênciais e carmas que por ventura trouxesse de outras vidas, já ouvia   falar das  suas  curvas sensuais, da sinuosidade de seus pilares, da beleza dos prédios,   e da ousadia da proposta urbanística.  Embora tivéssemos mais ou menos a mesma idade, ela já ostentava  esse perfil de menina, com jeito de mulher.  Brasília,  já nasceu controversa e multifacetada.

Tornou-se rapidamente um ícone, modelo de todas as capas de revista da época. Era sinônimo de elegância e glamour, tudo pelo empenho de um certo Oscar,  seu companheiro Lúcio e o  mescenas JK,  também conhecido como presidente bossa nova, que  num surto de insensatez e criatividade, resolveram criar uma cidade no meio do nada.  Essa “santíssima trindade”  vinha com a missão de dizer  aos gringos  de todo o mundo,  que a capital do Brasil, de uma vez por todas,  não era   Buenos Aires e que se  ainda pensavam que  aqui  vivia um povo  butucudo convivendo  com cobras, no meio da rua, e que  ainda  morava em árvores,  dali para frente, a realidade seria diferente. Agora, não  mais  sairiam de suas casas pendurados em cipós, mas desceriam de  elevador!  A história, pouco a pouco, começava a mudar. As  zarabatanas, tacapes, iam ficando para trás, e esse povo  catapultava-se definitivamente para a era da  modernidade. Foi um divisor de águas.

Hoje, Brasília, é  uma jovem senhora.  Tudo já se falou sobre ela. Amada, criticada e odiada,  continua lá, bela, sensual, cheia de curvas, mas também com muitos defeitos. Que  atire a primeira pedra quem não  os tiver.

As  análises profundas e teóricas, os   longos tratados urbanísticos,  deixo para os críticos, intelectuais e revistas especializadas.  Para não passar em branco, tasco  à minha maneira,  uma  singela homenagem, que aliás vem sendo feita, desde quando comecei a “escrivinhar” neste blog.  É só   ver  a ilustração que está sempre lá no alto da página. Ao invés de fotos,   meu tributo ao arquiteto e sua musa,  vai através de seus   emblemáticos croquis.

Crescemos  juntos, como já disse, temos mais ou mesma mesma idade. Como ela, eu também sou  um  jovem senhor.  Longe de ser  belo, como ela,  com zero de sensualidade,  posso dizer que pelo menos uma coisa temos em comum: os defeitos.

Só para encurtar essa história, continuo aqui, neste bom e velho planeta de expiação,  correndo atrás do prejuízo, tentando justificar aquele bla bla bla lá do começo, lembra?  … me aperfeiçoar como ser humano, resolver meus problemas existências, por aí vai…  Pois então, neste momento, cruzamos nossos caminhos,  hoje, Brasília,  mais mulher do que menina e  eu, mais senhor do que jovem,   procurando as mesmas respostas,  sem encontra-las, obviamente.  Acho que vou continuar farejando, por muito tempo,  enquanto estiver por aqui.  Confesso que   ainda não achei nada de   concreto, coisa que Brasilia tem de sobra.   Desculpem, mais essa foi dura, hein??!

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2 Responses to “uma jovem senhora, ou a lady do cerrado?”


  1. Abril 24, 2010 às 4:16 pm

    eu gosto tambem da cidade, sei que na India eixste uma outra cidade que é sua gemea no tempo e no espaço, gosto tanto como das road stories que se montaram com as familias que saíam viajando de carro aprendendo com os contrastes; mas o projeto de uma capital no cerrado, a Brasilia é uma ideia mais antiga, parte da conquista do territorio nacional, lançada pelo velho José Bonifacio de Andrada e Silva e comungada por Plinio Salgado, Juscelino sabia disso e tinha presente diante de si essa realidade, nosso povo precisa saber e cada um de nós tem disso sua herança…valew Leone!!Ab

  2. Abril 30, 2010 às 7:51 pm

    Chandgarth é nossa gêmea indiana, projetada por Le Corbusier, e se fossemos ser idiotas ao ponto de separar influencias entre esquerda e direita, Le Corbusier seria a direita da arquitetura enquanto Niemeyer representaria a esquerda, mas na realidade o que é mais importante é sabermos que nossas influencias externas são as que vem do exterior e as reais influencias são as internas como no jazz…Mais uma vez, agradeço Leone ! Abraços !!!


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josé luiz leone, arquiteto/designer ARQBAR = BAR : balcão+serviço rápido+amigos+ camaradagem+bate papo+ descontração+ circulação de informações+pessoas+ aprendizado+relacionamentos +parcerias+divulgação de trabalhos+ cumplicidade+novidade+ informação+arte+arquitetura+design

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