Arquivo de Junho, 2010

23
Jun
10

simplicidade e despojamento

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The Mighty of  Bearcats, é um grupo de jovens com vinte e poucos anos, sediados em Chicago, recém saídos da escola de artes e design, que  desenvolve criações coletivas, baseados na simplicidade e despojamento . Ao   mesmo tempo que  dizem que o seu trabalho de design pode mudar a vida das pessoas, pedem também para que não sejam levados muito a sério. Esse não compromentimento, as vezes pode gerar grandes resultados. Aliás acho que esse é um bom toque para nós  seres rastejantes: quanto menos nos levarmos à sério, mais valor agregamos às nossas cabeças, troncos e membros.  É sempre bom ter os olhos abertos e não cair naquela armadilha : é fácil ser complicado, o complicado é ser simples. Portanto, algo me diz que essa moçada está no  caminho certo.

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22
Jun
10

as imagens que guardei para mim

Quando só existiam na cidade de São Paulo, apenas duas escolas de arquitetura,   um cursinho pré vestibular, era o responsável, não só, por dividir os futuros arquitetos, entre essas  faculdades, mas também por  mostrar que havia vida inteligente no  famigerado  e medíocre mundo do  vestibular. Chamava-se Universitário, e tinha uma filosofia de ensino diferente dos cursos  destinados a esse fim.  Rolava por ali, uma certa vanguarda,  uma informação extra curricular, para quem se interessasse. Quem optasse por  arquitetura, tinha   aulas de desenho – linguagem arquitetônica –  com uma dupla,  cujos  artistas que naquela época estavam começando a despontar como feras das artes plásticas,  mas já deixavam bem claro à que vinham – Carlos Fajardo e Luiz Paulo Baravelli. Tive ali toques, que até hoje guardo no meu baú de vivências.

As aulas de literatura, não se restringiam apenas aos parcos resumos de “Iracemas, Cortiços, Paulicéias” e afins,  mas jogavam luz também sobre  um certo Fernando Pessoa e sua trupe de heterônimos, que passavam longe do vestibular.  Edgar Allan Poe, a geração beat, Jack Kerouack … Enfim um cardápio com itens variadíssimos.

O Universitário localizava-se no  Bixiga, numa   época em que o bairro mais parecia um reduto da velha Itália,  pré febre boemia que assolou e descaracterizou  o local no começo dos  anos 1980.

Eu e meus amigos  serpenteávamos por suas  ruas estreitas e vielas, desviando de lençóis pendurados nas fachadas das casas caiadas,  embalados pelo som de conversas das matronas debruçadas nas janelas. Torcíamos   para encontrar com a italiana gorda, que se integrava à nossa comitiva,  nos acompanhando com um simpático cesto, que equilibrava na cabeça, transbordando de flores  para vender.   Os “carcamanos ” e seus antiquários cheios de personalidade, eram o cenário perfeito para fugirmos de uma ou outra aula que julgávamos desnecessárias para nossa futura profissão. Lá ouvíamos as histórias sobre as   peças e objetos maravilhosos que tinham para vender,   e também,  com um pouco de sorte,  e  dependendo da inspiração do seu Federico, podíamos ser contemplados com uma performance para lá  de anárquica de uma “canzonetta napolitana“. Aí era demais!                                                                                                        A efervescência do teatro Ruth Escobar, que realizava um festival com  espetáculos absolutamente imperdíveis, não deixava pedra sobre pedra trazendo grupos de vários países,  o que fatalmente culminava em encontros e bate papos com artistas, que vinham ali para se apresentar. Um verdadeiro desfile de estrelas.  Muita coisa acontecia nas escadarias ao lado do teatro, e que anos mais tarde, guardando as devidas proporções,  pude estabelecer uma certa  semelhança  com “Piazza di Spagna“. Roma era ali e eu nem sabia!

Saudosismos, e pieguices, à parte,  outro dia passando pela região, me deparei com, ” um   outro lugar”. O Universitário, não existe mais. As cantinas, bem…algumas viraram fast food.  O cineclube dispensou  os serviços de Godard,  Truffaut e Antonioni , cerrando suas portas para sempre. As matronas, se calaram. Suas janelas se fecharam… Sem que eu pudesse evitar, um turbilhão de perguntas começou a me acuar , e sufocar minha garganta:   Por onde andarão os meus amigos?…E o   seu  Federico, suas antiguidades e canzionettas,?… a italiana gorda que vendia flores? …As matronas!…  E a  efervescência do Ruth Escobar, porque acabou?  Será que aquelas figuras   ainda vivem? Se viverem, será  que tem consciência do impacto que causaram em minha vida?  Esse flash back aconteceu em menos de um minuto, mas  para mim, teve uns trinta e tantos de duração!

Essas perguntas, tenho a impressão que nunca vão ser respondidas. Acho que vou ter que me contentar apenas com a lembrança das imagens que guardei para mim!

obra de Luiz Paulo Baravelli

obra de Carlos Fajardo

Piazza di Spagna- Roma – Itália                                                                         as matronas na janela

Praça Don Orione  Bixiga-  São Paulo- Brasil

17
Jun
10

linha josé

Só pelo nome da coleção criada pelo designer Mauricio Arruda, devo confessar, que já gostei e sinto-me homenageado pelo nome, embora eu e o autor, não nos conheçamos.

A LINHA JOSÉ é uma família de móveis despojados para armazenagem,  produzida com materiais e processos menos agressivos ao meio ambiente adotando uma linguagem informal e tipicamente brasileira.   Buscou inspiração das feiras livres de frutas, verduras e legumes. O aspecto informal e transitório desses espaços deu origem as estruturas de madeira com design leve e simples que carregam as caixas de plástico coloridas. No mínimo é um toque ultra diferente. De repente dá até um samba em contraste com aquela peça  clássica que você possui em algum canto do seu cafofo. Eu sem sombra de dúvida, colocaria no meu carrinho de compras.

15
Jun
10

educação e sustentabilidade

Qualquer cidade do planeta em qualquer parte do mundo – pode melhorar sua qualidade de vida em menos de três anos, segundo o arquiteto Jaime Lerner, ex governador do Paraná, ex prefeito de Curitiba e conselheiro do movimento Planeta Sustentável.

Isso é possível, pois nem sempre a resposta vem através do dinheiro público, mas com ações coletivas. Os principais problemas das grandes cidades atuais são vários, mas três deles são essenciais às  próprias cidades: mobilidade, sustentabilidade e diversidade social.  Se esta equação estiver equilibrada, as diretrizes  estarão no caminho certo.

Segundo o arquiteto, os maiores entraves para a sustentbilidade, são:  a dependência excessiva do automóvel;  a moradia afastada do trabalho;  a divisão da cidade por funções, enfim, tudo o que dificulta a vida do cidadão.

A saída para resolver o problema da mobilidade nas grandes cidades,  é utilizar todos os meios de transporte: metrô, ônibus trem, sem jamais fazê-los competir entre si.  É perfeitamente possível ser feito o uso do carro, mas semelhante ao uso das bicicletas em Paris, como auxiliares do sistema de transporte público.

Um dos grandes problemas das metrópoles –  a imensa quantidade de lixo –  pode começar a ser resolvido, educando as crianças, que são a terra fértil para semear novos comportamentos. Em Curitiba, os alunos de  escolas  públicas  reciclam lixo e ensinam os pais. Em vez de gastar recursos para coletar o lixo e depois desperdiçar para separ-lo, por que não o separar em casa? Tímidamente isso já está começando a acontecer em várias localidades. Eu tenho a experiência aqui em Sampa,  só acho que poderia haver mais incentivo. O que é preciso é  intensificar e difundir cada vez mais essa prática, até que ela se torne  100%.

Confesso que a minha geração, não foi ensinada a manipular o lixo. Outros tempos. Achava-se que tudo o que não fosse  o espaço privado de nossas casas, não seria  de nossa responsabilidade. Pois é,  convivíamos com dinossauros, ou éramos um deles…   Por volta dos  vinte anos, quando cursava a faculdade de arquitetura, estava no carro de um amigo, descendente de  alemães, quando abaixei o vidro do carro,  fazendo  menção  de  jogar algo.  Ele me pediu para que não fizesse aquilo, apenas depositasse o que eu fosse jogar, num recipiente de lixo que ele carregava perto do painel do carro.  Aquilo,  para mim,  bateu de uma maneira tão incisiva,  que recolhi mina cauda de crocodilo,  e   nunca mais tive coragem de jogar uma pena,  se quer,  em algum lugar que não fosse no lixo. Aprendi e  de quebra ainda incorporei o tal recipiente de lixo em meu carro.

Promover inovação e sustemtabilidade numa cidade não sai caro. Nem sempre o que é mais caro e sofisticado, traz resultados satisfatórios. As idéias simples e baratas, as vezes tem um efeito bem maior trazendo  inovação e renovação. Inovar, é sobretudo,  colocar a idéia em prática o mais rápido possível, para provocar a mudança.

Baseado no artigo Planeta Sustentável Revista exame, julho 2010, entrevista com o arquiteto Jaime Lerner.

10
Jun
10

diálogos com gaudi

O designer alemão Bram Geenen, utilizou-se do mesmo método que Gaudí, que ateou fogo em  seus neôronios na   criação das cúpulas da incensada Igreja Sagrada Família, para inventar uma cadeira que leva o nome do arquiteto. O mestre que naquela época não contava com o auxílio luxuoso dos softwares que dispomos hoje em dia, usou e abusou da experimentação: prendeu correntes de cabeça para baixo  num suporte e vendo as imagens que se formavam num espelho colocado abaixo, conseguiu as formas exatamente da maneira que queria. Aliás, vi  no Instituto Tomie Ohtake, lá pelos idos de 2004,  uma exposição sobre o mestre Gaudí, que reproduzia exatamente esse método. E então como nada se cria tudo se…, o ” caboclo”  alemão que de bobo não tem nada, embarcou na viagem. Vale à pena dar uma sapeada no vídeo, e ver a cadeira leve e  prá la de sofisticada, feita em fibra de carbono, com reforços em naylon e fibra de vidro

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10
Jun
10

caixa flutuante de memórias

A superfície acobreada que recobre as faces mais longas da barra tem desenhos de composição assimétrica

Como forma de lembrar as 30 mil vítimas da ditadura chilena (1973-1990) de Augusto Pinochet, o   Estúdio América, formado pelos arquitetos paulistas, Carlos Dias, Lucas Feher e Mário Figueiroa, acaba de presentear o povo chileno, com uma caixa flutuante “embrulhada” em cobre, com o Museu da Memória e dos Direitos Humanos. A obra é resultado do concurso, vencido pelos arquitetos, realizado em 2007, pelo Ministério de Obras Públicas do Chile.

Com três níveis integrados por um vazio de 15 m existente entre eles, o edifício tem seis pavimentos , (três de exposições,  o pavimento térreo de entrada,  e dois subsolos)  e foi construído em um terreno de 15 mil m2.

Pontes envidraçadas que se projetam no espaço contribuem  sobremaneira para  perfeita integração dos locais , o  que   diferencia essa obra dos museus tradicionais onde as exposições acontecem numa sucessão de salas. Uma perfeita integração entre os projetos de museologia e arquitetura.

Dentro do conceito geral, estabelecem-se outros dois:  a Barra, com 18 m de largura, por 80 m de comprimento, onde acontecem as exposições; o nível térreo da entrada, e a Base em concreto,  no sub-solo, com dois pavimentos,  onde estão localizados locais para produção cultural, estudos,  seminários  entre outros eventos.

Segundo os autores do projeto :  “Este museu  constitui uma pedra representativa da força e da solidez de uma memória social, cuja presença física no contexto urbano de Santiago,  vai impossibilitar o esquecimento de um dos momentos mais duros e dramáticos da vida chilena”.

Caixas translúcidas contêm o programa

A função principal do programa está distribuída em três pavimentos contidos nessa caixa

02
Jun
10

concreto aparente

O projeto é do  Studio  BAK Architects , e está localizado na Floresta do Mar Azul,  em Buenos Aires. Pelo que pude perceber pesquisando a obra dos arquitetos, eles são bastante adeptos do concreto aparente tanto interna quanto externamente, o que torna uma marca de seus projetos. Vale à pena bisbilhotar a obra do trio composto pelos arquitetos argentinos  Maria Victoria,Guilherme de Almeida e Luciano Kruk

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autor/proposta

josé luiz leone, arquiteto/designer ARQBAR = BAR : balcão+serviço rápido+amigos+ camaradagem+bate papo+ descontração+ circulação de informações+pessoas+ aprendizado+relacionamentos +parcerias+divulgação de trabalhos+ cumplicidade+novidade+ informação+arte+arquitetura+design

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