Arquivo de Fevereiro, 2012

29
Fev
12

piet, o pop

Cantavam por aí uma música, que dizia o seguinte: “O PAPA É POP.  Bobagem, só um jogo de palavras.  Principalmente se levarmos em consideração essa última figura em questão, que   não  tem deixado  muito  claro a que veio. Mera figura de decoração!!

Pop mesmo é Piet Mondrian, que imprimiu a força de suas imagens no imaginário do século XX.  Isso  fica comprovado através da perenidade de sua obra, que apesar de estar impressa em toda a sorte de utensílos objetos, vestuário, arquitetura, e o que mais se puder imaginar,  não se desgastou. Muito pelo contrário, se fortaleceu como um imbatível ícone Pop.

Embora ache que o novo é sempre bem vindo,  e   este espaço se constitui no único lugar que eu determino onde nasce o sol,  me dou ao luxo de postar aquilo que  faz meu coração bater com a força de um rio bravo.   Mondrian , claro, não é novidade para ninguém, mas  para mim, desde a primeira vez que colei minha retina em sua obra, já  bateu como novidade .  Sempre me intrigou bastante –  e o que me intriga, me fascina!  Viajo naquelas linhas pretas como se caminhasse pelas ruas  da grande cidade a procura de informação. Sempre encontro alguma.

Vi  no MoMA de NY,  lá por 1995, uma das mais completas mostras de sua obra.  Tive o privilégio de acompanhar, nessa exposição,   sua trajetória, com precisão, desde seus primeiros passos,  na Holanda, onde embarcou na carreira artística, apesar de todas as objeções de sua família, até a chegada em  NY,  absolutamente  seduzido pelo jazz , pela efervescência da metropole, com suas luzes, cores  e movimento.  É impressionante observar  o que norteou sua obra :  a procura da sintese que se   traduziu de forma definitiva  na série   Broadway Boogie-Woogie.

Se tivesse que colocar dentro de um conteiner tudo que fez minha cabeça, até hoje, com certeza, contaria  com o auxílio luxuoso de Piet.

Só para teminar, me lembro que um pouco antes de embarcar  naquela  viagem a NY, li um artigo do saudoso Paulo Francis na   Folha de São Paulo,   arrebatado com a exposição que acabara de ver no MoMA.  Dizia que Mondrian, se confundia com a paisagem de NY.  Entre outras coisas, relatava que ao chegar pela primeira vez na cidade  e  avistar a ilha de Manhattan, “Jamais havia se recuperado daquela paisagem”  e Mondrian tinha muita culpa nessa história.

Humildemente me aproprio das palavras de Francis.

Por essas e outras, entre  Papa e Piet, quem é mais Pop? Minha resposta com certeza nem preciso dizer. E a sua qual é?

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29
Fev
12

anish kapoor

Muitos já devem ter ouvido falar em Anish Kapoor, artista indiano, nascido em Bombain, radicado na Inglaterra. Eu confesso que a primeira vez que travei contato com sua obra, foi em 2007, numa exposição chamada  Ascension, no Centro Cultural Banco do Brasil, aqui  em São Paulo. Absolutamente inesquecível, pois  a apartir dali,   entendi qual a sua importância  e   ando sempre na sua cola, para ver o que ele tem  aprontado.  É considerado um dos mais influentes escultores de sua geração, tem 58 anos,  suas instalações/esculturas, de grandes proporções, aproximam-se  bastante da arquitetura.

Quem me integrou a comitiva de Anish e ao  seu universo, foram uns amigos. Sou eternamente grato.  Sem pieguice,  as obras de Kapoor  me  abriram portas e horizones para outras percepções. Grande viagem que me  jogou dentro de uma tridimensionalidade misteriosa e absolutamente intrigante..

A obra Ascension de 2003, que deu nome a tal  exposição no CCBB , uma escultra de fumaça que materializa-se em nossa frente, é uma das coisas mais incríveis que já vi.  Através de alguns pequenos orifícios no piso,  por onde sai  uma fumaça que  é  sugada por um potente ventilador no teto, desenha-se  uma espiral, um cordão prateado e etéreo. Só quem viu o poder impactante daquilo,  sabe do que estou falando.

28
Fev
12

mesas pernaltas

table with bird’s legs by meret oppenheim, 1939.

“Marabu” é o mais recente produto criado pela marca de mobiliário italiana Maòli, em colaboração com o designer italiano, nascido em Roma, Alessandro Loschiavo.

Depois do sucesso das séries “Walking Family”, apresentadas  em Paris e recentemente ganhadora do  prémio de Melhor Design atribuído pelo Museu Athenaeum de Chicago, a Maòli acrescenta mais um produto à sua família de objetos surrealistas inspirados pela natureza da savana africana. Desta vez, a inspiração surgiu da observação de algumas aves pernaltas que vivem habitualmente nas margens dos grandes lagos na Africa . As suas longas pernas influenciaram a forma da mesa Marabu, feita inteiramente em mogno e composta por um tampo plano em forma de gota, duas pernas de ângulos obtusos e uma base circular. A vontade que dá, e ter várias, para dar exatamente essa impressão da foto….aves pernaltas perambulando pela casa.

A mesa pretende ser uma homenagem ao artista surrealista Meret Oppenheim e à sua “Table with Bird’s Legs” (1939), foto  acima

Mais informações- Maoli

17
Fev
12

vilanova artigas, o doce brutalista

Desconhecendo quem era, o que fazia, e sem saber também que iria ouvir falar muito sobre ele  pelo resto da vida, desde garoto, já convivia com o arquiteto Vilanova Artigas. Explico melhor.  O Sumaré, bairro onde passei toda a minha infância, na zona oeste de São Paulo, era um dos grandes celeiros da obra do grande mestre. Tinha um amigo, que lá morava (foto da casa ao lado) e cuja casa havia sido projetada pelo arquiteto. Só vim a saber, anos depois.  O pai dele,  era apaixonado por arquitetura.

O que me chamava atenção, era o fato de a casa ser bem diferente das outras. Ao invés de escadas, rampas, no lugar das paredes convencionais, grandes panos de concreto. Ao invés de janelas, enormes aberturas emolduradas por caixilhos de ferro e fechamento em  vidro, jardins que adentravam o interior das casas. Isso, sem falar nas coberturas com o indefectível “domus”, usufruindo da iluminação zenital.  Chegávamos a descer de bicicleta, as rampas  que separavam a casa em níveis, desembocando no tal  jardim interno, do qual a mãe dele vivia nos expulsando. Nem preciso dizer que o meu amigo, que aliás já se foi, seguiu a carreira de arquiteto.

A arquitetura já me chamava a atenção, antes de entrar na faculdade. Quando tomei conhecimento do grande mestre, percebi porque aquele espaço concebido por ele me intrigava tanto.  Com um pouco mais de conhecimento sobre o tema, fui percebendo pelo bairro, casas com estilos bem semelhantes que para mim eram absolutamente familiares, mas ao mesmo tempo tinham um peso enorme na história da arquitetura, sendo conhecidas como ícones do “Brutalismo Paulista”, movimento que dominou a cena da arquitetura de Sampa, nos anos 50. Caiu a ficha, o pai do meu amigo,  absolutamente antenado, sem querer, me deu  um grande toque, pois Artigas foi um dos líderes intelectuais e autor de um dos mais emblemáticos edifícios do tal movimento: a FAUUSP.

Um episódio que jamais esqueci, e que reforçou ainda mais o meu interesse e respeito  pela obra de Artigas, foi uma aula super concorrida dada por ele na FAUUSP, cujo objetivo era uma mera formalidade, para ser readmitido no corpo docente da faculdade, pois o golpe de 64, em virtude de suas idéias e de seu envolvimento político, o havia impossibilitado de lecionar. Quem  participava do evento, era o também saudoso Flávio Mota, um outro grande professor e que estava na mesma situação :  para ser readmitido, tinha que passar por uma prova. Imagine . Como a aula era pró forma, tornou-se um  agradável encontro poético/filosófico/arquitetônico,  protagonizado por dois feras, que já não precisavam provar mais nada a ninguém, mas com imensa generosidade, nos proporcionaram momentos inesquecíveis. Esse episódio, tem lugar de destaque no me baú de vivências. Quem estudou arquitetura lá pelo começo dos anos 80, deve também se lembrar desse fato.

Acabei de ver no jornal, que uma revista espanhola, chamada 2G, vai lançar uma edição especial sobre o arquiteto, que talvez venha a preencher algumas lacunas, deixadas em aberto, sobre a importância de sua obra – tanto aqui, quanto o exterior.

Que bom!

16
Fev
12

aos mestres com carinho

De autoria dos arquitetos Álvaro Puntoni, Luciano Margotto Soares, João Sodré e Jonathan Davies, o premiado projeto do prédio do   Sebrae em  Brasilia, com  desenho expressivo e  usufruindo  de elementos  marcantes, como pilotis, brise soleil e fachadas abertas x empenas, faz uma homenagem a Arquitetura Moderna, sugerindo  um diálogo com as curvas dos edifícios de Oscar Niemeyer ou do Plano Piloto de Lucio Costa.

Vale lembrar que  esta obra  foi uma das vencedoras do prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) e escolhido por André Corrêa do Lago como o mais significativo edifício da década em sua categoria.

Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 373 Março de 2011

A empena voltada para o norte, chamada de “castelo servidor”, possui desenho curvo

A composição usa elementos modernos, como empenas, pilotis e brises

O pátio interno é o coração do projeto

Trecho curvo sobre o auditório interliga dois setores de escritórios

03
Fev
12

personalidade

Coffe Streets  localizado em Chicago, é o  resultado do trabalho do escritório  Norsman Architects . Como já disse aqui neste blog várias vezes,  adoro trabalhos em madeira. Olha só a personalidade que ela imprime neste  café.




autor/proposta

josé luiz leone, arquiteto/designer ARQBAR = BAR : balcão+serviço rápido+amigos+ camaradagem+bate papo+ descontração+ circulação de informações+pessoas+ aprendizado+relacionamentos +parcerias+divulgação de trabalhos+ cumplicidade+novidade+ informação+arte+arquitetura+design

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